Fevereiro 14, 2008

Tenho andado desaparecido...

... porque há duas semanas que não tenho postado nada. Enfim, tenho estado a curtir as minhas férias ao máximo, e nem tenho vindo à Internet. Mas enfim, quem é vivo sempre aparece. O que me despertou para a escrita de um novo post não foi a tardada de cinema um Lisboa, não foram as aceleradelas no carro novo, nem por sombras o ter voado após alguns meses de abstinência. Não foram as benditas férias em Montemor, as inscrições para o segundo semestre, ou até mesmo o Carnaval. Fiquei supreendido, isso sim, por uma coisa que me chegou ao correio ontem, intitulada "Montemor-o-Novo - Boletim Municipal", da autoria e responsabilidade da Coordenação Editorial e Redactorial - Serviço de Relações Públicas e Comunicação, da Câmara.

A capa e o texto da contra-capa são alusivos ao espectáculo, aqui tão mencionado neste blog, Uma Carta às Cores, que visa à celebração dos 10 anos de existência da Oficina do Canto. So far so good. O problema é o resto. Quanto à fotografia da capa, os senhores da CER (como vou passar a chamar), cairam na mesma tentação que eu. Quanto a este assunto, mais não digo. Quanto ao texto da contra capa - o Destaque: Oficina do Canto, 10 anos a cantar e a encantar!, o qual vou passar a transcrever:

«Foi em 1997 que surgiu a "Oficina do Canto", um projecto inovador da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, que assentou um dos seus alicerces no simples facto de proporcionar um espaço de alegria para as crianças e jovens, que apenas queiram cantar. Lugar de divertimento (ensaiado) aberto a todos, aliás, pela adesão de um elevado número de pequenos artistas, entende-se que foi esse um princípio e uma das suas mais valias.

Todos têm na memória momentos grandes desta Oficina, que fez do canto a sua arma - as Cantatas de Natal (iniciativa do Coral de S. Domingos), os musicais "Mágicos, Travessos e Patrimónicos", "Peregrinação", "121 em 1503", os vários concertos pelo país e ilhas, os cd's que guardamos religiosamente em casa, as idas à televisão, e muitas outras que nos levam, em tom quase nostálgico, a exclamar com alguma admiração - "já passaram 10 anos!"

O tempo passa realmente veloz e já foram mesmo muitas as dezenas de crianças, agora jovens e adultos, que já passaram por esta autêntica escola de valores e cidadania, onde a Maestrina foi "mãe", amiga e professora. De facto, outra das bases sólidas desta Oficina foi, e continua a ser, o intocável e enorme gosto e coração que Maria do Amparo - a Maestrina - demonstra na direcção deste coro.

De acordo com André Calvário (antigo elemento do coro), "esta Oficina marcou toda a nossa geração. Para nós, a Oficina do Canto é mais do que um coro, é um lugar de eleição para conquistarem novas amizades e se descobrirem novas qualidades individuais já que cada um dá o seu melhor quando está em palco".

Pegando também nas palavras de Maria do Amparo, "ainda que a Oficina ainda seja um bébé, já temos muiiiiito que e para cantar!!!". Foi desta ideia e contexto que surgiu o espectáculo - "Uma Carta às Cores" - que se realizou a 10 de Novembro, no Cine-Teatro Curvo Semedo. Visando comemorar estes 10 anos de existência da Oficina do Canto, esta foi mais uma prova do empenho e esforço da "velhota" Maria do Amparo que, para além das crianças da actual Oficina, também convidou para esta festa, todos os elementos que passaram por este agrupamento.

Mas, a "Carta às Cores", a que assistiram perto de 800 pessoas, foi bem mais do que um espectáculo comemorativo, foi o veículo privilegiado e singular para difundir uma mensagem de paz e, acima de tudo, contra o racismo. Desta forma, e com a ajuda do coro "Musicarte", desfilaram pelo Curvo Semedo músicas dos vários cantos do mundo, num autêntico hino à harmonia entre os povos. Já em final de viagem, a "Carta às Cores" despediu-se com "O meu coração não tem dono" (tema interpretado por Lúcia Moniz no Eurofestival da Canção), que juntou em palco as vozes de antigos e actuais membros da Oficina.

Foi com muita a alegria e emoção, e com a netinha ao colo, que uma sorridente e emocionada Maria do Amparo, e toda a "sua" criançada, foram aplaudidos no final do espectáculo.

Em jeito de balanço, dá vontade de dizer, venham daí mais 10 anos!!!»

Bem, nem sei por onde começar.
Posso afirmar que este texto acaba por ser, sem nenhuma dúvida, um poderoso meio de publicidade à Câmara, mas posso dizer desde já que se se continuam a espalhar ao comprido como fizeram com este texto, são capazes de não chegar a lado nenhum.
Até porque, querendo dar um bom ênfase à coisa, acabaram por ridicularizar toda a situação, chamando "velhota" à Maria, "com a sua netinha". São coisas que realmente não ficam bem a alguém que fez este texto, simplesmente porque na brincadeira a Maria auto-intitula-se "Avó Maria", é um facto, mas acaba por dar uma má imagem da pessoa. Poderia ter sido uma coisa mais a sério.
Depois, deviam esperar que eu ficasse aos pulos de alegria por o meu texto vir no Boletim que todo o Concelho lê. Enganam-se. Quando lá vi "antigo membro do coro", só tenho a dizer que SOU, definitivamente, membro fundador da Oficina do Canto. E ainda lá continuo, não faço intenções de o deixar. Só por causa de um boato de que iria deixar a Oficina para fazer parte integrante do coro Musicarte. As pessoas não têm nada a ver com isso. E se querem saber, sim, fiz o contacto, mas ainda nem em ensaios comecei. As pessoas são assim, vivem de bisbilhotices e boatos. Só porque sou um bocado mais velho já me querem pôr de lá a andar?
E finalmente, a grande baboseira e calinada, aquela que mais salta à vista - ora muito bem - "O meu coração não tem dono". Se o pessoal da CER tivesse dado só um cheirinho de pesquisa que fosse, o que realmente não deve ter acontecido, em vez de andar a pseudo-copiar textos dos outros (é esquisito onde eles foram buscar o "em tom quase nostálgico" e "os cd's que guardamos religiosamente em casa"), iria verificar que Lúcia Moniz interpretou, no Festival da Canção de 1996, o tema "O meu coração não tem cor". Mas isso sou eu, que, à semelhança de Bruno Nogueira, sou um bocado picuinhas com os pormenores, só isso. A acústica da sala não deve realmente ter sido a melhor, para não terem conseguido apanhar o nome da canção. Mas, chiça, repetimos aquilo mais de 20 vezes!...

Enfim, é que se aproveita muito pouco deste texto. Para a próxima tenham mais cuidado se não querem ser criticados.

3 postas de pescada:

laura_bms disse...

eu reparei no mesmo erro que tu... Ainda por cima o refrão era bem específico e os meus avó ouviram bem estando bem longe do palco... a acústica da sala ate nem era má o problema mesmo foi redactor que ou não foi ao espectáculo ou então têm um grave problema nos ouvidos...Ou então não fez a pesquisa porque encontraria o verdadeiro nome da música...enfim, isto é revoltante

Joana disse...

Tens toda a razão André, um projecto vencedor como é a Oficina do Canto, que deu (e continua a dar!) tantas alegrias a quem por lá passou, devia ser tratado com mais respeito e cuidado. Mas enfim, é o que temos. Parabéns pelo blog!

Anónimo disse...

meus queridos :)!
não se amofinem. é mesmo assim. tudo isto faz parte do "enredo" :)!!!...
beijocas grandes, adoro-vos,
vovó "velhota" :) Maria.